25 de junho de 2010 Santuários Marianos no Rio de Janeiro

Janela da culturaOlá, irmãos!

Depois de uma incômoda pausa, a Janela da Cultura se abre novamente. Durante o mês passado, por conta da celebração de nossa padroeira, fomos levados a viver intensamente uma espiritualidade mariana. Proponho então a vocês um passeio pela cidade em busca de Igrejas dedicadas à Mãe do Céu. Não quero listar as paróquias marianas da Arquidiocese, é claro. Quero apenas deixar a dica de alguns lugares de incrível beleza. Caso você os conheça, ou vá conhecer algum deles, deixe seu recado para nós, contando o que achou.

Igreja de Nossa Senhora da Candelária

Igreja de Nossa Senhora da Candelária

Quem nunca se impressionou com a beleza dessa igreja imponente no fim da Avenida Presidente Vargas? Um refúgio no meio da agitação do Centro, a Igreja da Candelária é um dos monumentos religiosos mais importantes do Rio de Janeiro. Sua origem é atribuída a uma história (talvez fictícia), segundo a qual, no início do século XVII, uma tempestade quase fez naufragar um navio chamado Candelária. Neste navio viajavam os espanhóis Antônio Martins Palma e Leonor Gonçalves. O casal fez uma promessa de edificar uma ermida dedicada a Nossa Senhora da Candelária caso escapassem com vida. Uma vez que a nau aportou no Rio de Janeiro, o casal fez construir uma pequena capela no local da atual Igreja da Candelária, em 1609.

De lá para cá, aquela ermida foi ampliada e decorada de forma a ser considerada hoje a maior Igreja da cidade, excluindo-se a Catedral de São Sebastião. Sua construção só findou em 1898, após receber as pinturas de Zeferino da Costa (um dos pontores brasileiros mais importantes), com quatro painéis que retratam fatos da vida de Nossa Senhora: o Esponsório, a Anunciação, a Purificação e a Assunção. Datam também do século XIX a decoração e as portas de bronze ricamente talhadas. Nesta época, a igreja ficava colada em outras edificações, e só quando foi aberta a Avenida Presidente Vargas, na década de 50, ela ganhou o destaque hoje visto.

Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro

Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro

Com paredes caiadas, emolduradas por pedras de granito, é uma das primeiras igrejas coloniais brasileiras com planta poligonal em estilo barroco. No Brasil colônia, igrejas de planta poligonal foram construídas nessa mesma época também no Recife (Igreja de São Pedro dos Clérigos, iniciada em 1723) e em Salvador (Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, iniciada em 1739). A forma geral da igreja, de dois octógonos com torre na entrada, não tem antecedentes no Brasil nem antecedentes claros em Portugal. A historiografia registra controvérsias quanto à autoria e à data da construção do templo definitivo. Porém a versão mais aceita, é a de que as obras datam da primeira metade do século XVIII (em torno de 1714), tendo sido a construção concluída em 1739.

A Igreja da Glória foi recentemente recuperada com auxílio do BNDES. Em seu interior e exterior foram recuperados cobertura, fachadas, muros, paramentos, forros, altares, talhas, calhas e sistema elétrico.

Quando foi visitar o Outeiro, é interessante também conhecer o Museu Mauro Ribeiro Viegas, que foi inaugurado em 1942, com o nome de Museu Artístico. Este museu, que possui um acervo de quase 1000 peças catalogadas, passou um longo período fechado, e foi reaberto ao público em 1985.

Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé

Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé

No final do século XVI, chegaram ao Rio de Janeiro os carmelitas. Estes receberam como doação uma capelinha dedicada a Nossa Senhora do Ó, na então Rua Direita. Ao lado desta capela foi construído o Convento do Carmo. Na segunda metade do século XVIII, um novo templo começou a ser construído. Sua construção durou quinze anos, sendo esta igreja sagrada em 22 de Julho de 1770. A Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé já foi chamada de Capela Real ou Imperial, pois foi lá onde os monarcas do país foram coroados no século XIX. A igreja localiza-se em frente à histórica Praça XV, ao lado dos edifícios coloniais do antigo Convento do Carmo e da Igreja da Ordem Terceira do Carmo.

O templo apresenta planta primitivamente no formato de uma cruz latina, como a Igreja da Candelária. A fachada principal da Igreja do Carmo é um tanto assimétrica por conta do posicionamento da torre, longe do corpo central. No início do século XX a fachada e a torre foram bastante alteradas. A estátua em um nicho da fachada representa o santo padroeiro da cidade, São Sebastião. Em 2008 o templo foi restaurado, em função das comemorações do bicentenário da chegada da família real portuguesa ao Brasil.

Santuário de Nossa Senhora da Penha de França

Dediquemos um pouco mais de espaço à nossa ilustre vizinha, a igreja que abriga o Santuário de Nossa Senhora da Penha de França. Devido a essa proximidade, creio que todos ou quase todos nós, paroquianos de Nossa Senhora de Fátima, já estivemos por lá. Conheçamos então um pouco da história desse santuário.

No ano de 1635, um capitão chamado Baltazar de Abreu Cardoso subia o penhasco (grande pedra) para ver as plantações que possuía. Baltazar foi atacado por uma serpente e, por ser devoto de Nossa Senhora, pediu socorro a ela, gritando: “Minha Nossa Senhora, valei-me!”. Surgiu então um lagarto, predador de serpentes, e os dois animais lutaram até a morte. Recuperado do susto, Baltazar atribuiu a aparição tão oportuna do lagarto à proteção de Nossa Senhora e mandou construir ali uma igreja, como forma de gratidão. Nesta pequena capela Baltazar pôs uma imagem de Nossa Senhora.

Diz a história que, “se antes o Capitão Baltazar subia o penhasco para ver as suas plantações, a partir daí passou a subir também para agradecer tão primoroso gesto de carinho que a Mãe do Céu teve para com ele. Assim como ele, também os seus parentes, amigos e vizinhos e até mesmo pessoas curiosas, que à distância viam a pequena capela, passaram a subir a grande pedra (daí vem a palavra Penha) uns para pedir e outros para agradecer graças alcançadas por intercessão da Senhora do alto do Penhasco – Penha. De tanto as pessoas dizerem: vamos à Penha visitar Nossa Senhora, passaram a dizer: vamos visitar Nossa Senhora da Penha.”(1)

No ano de 1870, a capela construída pelo Capitão Baltazar foi demolida, e construiu-se uma nova igreja em seu lugar. Houve também uma nova construção em 1900. Inicialmente foram construídas a igreja e uma torre que abrigava os sinos. Na ampliação de 1900, duas novas torres foram erguidas, além de ser instalado um carrilhão de vinte e cinco sinos, inaugurado em 1925.

Hoje, para chegar ao alto do penhasco, contamos com 382 degraus (isso mesmo, aquela história de que eram 365 degraus, um para cada dia do ano, é lenda!), além de um bondinho, com capacidade de transportar até 500 pessoas por hora. Ao contrário de outros bondinhos encontrados na cidade, este é gratuito.

Santuário de Nossa Senhora da Penha de França

Existem muitas outras igrejas para indicarmos, mas isso vai ficar para um próximo papo. Vamos fazer o seguinte: vou deixar quatro dicas aqui, e vocês tentam descobrir quais são os outros quatro santuários marianos de que falaremos. Ok? 1) Fica escondidinha no Centro da cidade; 2) A lado dela o comércio é muito intenso; 3) Num recanto de Jacarepaguá encontramos um santuário único; 4) Perto de um hospital e do Corpo de Bombeiros há uma basílica belíssima.

Vejo vocês na próxima. Um abraço forte. Pax!

(1) 1 – Santuário da Penha

Wellington CamposWellington Campos é Filósofo Eclesiástico, Engenheiro Químico e Professor de Química. Autor do blog “Texto e Contexto“. Integrante do Ministério de Música Frutos do Altar. Mais do que tudo isso, um admirador curioso da Cultura, das Artes e do comportamento humano.
E-mail: wellington.pnsf@gmail.com

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