25 de junho de 2009 Olha a chuva…

Olá, prezados!
Já é dia 25 de junho e ainda não vimos roupas quadriculadas, bandeirinhas penduradas nem aquelas comidas deliciosas que o mês nos reserva. Calma, calma, nossa festa paroquial está marcada para 19 de julho. Mas concordo com sua pressa. É inevitável pensar que, com o frio, vêm as festas juninas e todo um clima próprio de alegria. Mas, de onde veio essa tradição de celebrarmos as festas no mês de junho, que hoje já se estendem para julho? Existem algumas versões para isso, vamos a duas delas.
A primeira nos conta que nossas festas são, na verdade, provenientes da festa pagã do solstício de verão, tendo sido cristianizada na Idade Média como Festa de São João. É bom lembrarmos que essas festas já eram celebradas na Europa e, portanto, o verão de lá começa em junho. Por consequência, os Europeus de diversas nacionalidades celebravam o “dia mais longo do ano”. Isso mesmo, o dia mais longo do ano. Como assim? Em função da inclinação da Terra em relação ao sol, existem dois solstícios, um no verão e outro no inverno, no do verão tem-se o período claro (dia) mais longo do ano, já no do inverno, você deve concluir, a noite mais longa. Muitos países europeus ainda hoje celebram suas festas juninas, como Portugal, França, Polônia, Ucrânia e Suécia – neste último, a festas juninas são a maior festividade do país depois do Natal.
Já a segunda, que a meu ver não exclui a primeira, nos conta que a nossa tradição vem dos países católicos europeus que tinham por costume celebrar a festa de São João, em 24 de junho, daí chamarem-se “Festas Joaninas”, de onde nos chegou “Festa Junina”, feliz coincidência com o nome do mês em que celebramos este santo.
O fato é que as tradições juninas nos chegaram por meio dos portugueses, ainda no período colonial. E como nessa época, tudo que era moda em Paris virava uma referência cultural, nossos colonizadores trouxeram uma dança chamada “Quadrille”. Com o tempo, nossas quadrilhas passaram por muitas modificações, em especial por se fundirem com a cultura brasileira, perdendo muito da influência Frances. E embora as quadrilhas tenham chegado a nós por meio da elite, foi no campo que esta tradição ganhou força, daí o visual de camponeses que hoje prevalece nos arraiais.
Com a cristianização desta tradição, as festas juninas também passam a ser chamadas de Festas dos Santos Populares (Santo Antônio – dia 13, São João – dia 24, e São Pedro – que “divide” o dia 29 com São Paulo). Com essa dispersão de datas no calendário, as festividades começam a ganhar mais dias e tomaram todo mês de junho. Há quem goste inclusive de tirar férias em junho para viajar e conhecer as famosas festas do nordeste. Como não podemos negar a grande influência econômica dessas festividades nas cidades que se mobilizam para receber os turistas, já vemos eventos que perduram até o fim de julho.
Você já deve ter observado quantos pratos à base de milho são servidos em festas juninas: pamonha, curau, milho cozido, canjica, cuscuz, pipoca, bolo de milho são apenas alguns exemplos. Alguma coincidência? Não mesmo. Junho é o mês da colheita do milho. Junto com eles, alguns outros quitutes nos fazem perder os limites durante esse período. O que dizer de arroz doce, bolo de amendoim, bom-bocado, broa de coco, cocada, pé-de-moleque, quentão, vinho quente, batata doce e caldo verde? Só de imaginar já dá água na boca.
Não podemos nos esquecer dos balões que colorem o céu, que nesta época costuma estar bem claro. O uso de balões e de fogos de artifício, muito difundido especialmente na cidade do Porto, em Portugal, servia para avisar à população que a festa iria começar. Quando fossem soltos de cinco a sete balões, estava dada a largada para a festança. Hoje, resta apenas o efeito visual que eles proporcionam. Mas é importantíssimo lembrar que soltar balões é proibido por lei, em função do risco de graves acidentes que estes podem ocasionar.
Depois de toda essa prosa, é hora de arrumar o chapéu de palha, a roupa xadrez e de preparar os ânimos para nossa festa. Celebremos a alegria típica de nossa comunidade mais uma vez. Espero vê-los por lá. A Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo!
p.s.: Irmãos, neste mês criei mais um canal para nossa comunicação. Certamente vocês já ouviram falar em Twitter, não? Agora temos a Janela da Cultura também lá, É só nos seguir e todo dia receber um raio de cultura por essa nova janela: http://twitter.com/janeladacultura
Um abraço forte.
Wellington Campos é Filósofo Eclesiástico, Engenheiro Químico e Professor de Química. Autor do blog “Texto e Contexto“. Integrante do Ministério de Música Frutos do Altar. Mais do que tudo isso, um admirador curioso da Cultura, das Artes e do comportamento humano.
E-mail: wellington.pnsf@gmail.com
Twitter: http://twitter.com/janeladacultura
5 Comentários para “Olha a chuva…”
-
Rosane Diz:
27 de junho de 2009 at 21:56De fato, esse asunto dá água na boca! Já aguardo ansiosa a próxima janela! Que Deus o abençoe!
-
Rosane Diz:
27 de junho de 2009 at 21:58Corrigindo: assunto! Rsrsrs
-
Wellington Campos Diz:
29 de junho de 2009 at 8:27Água na boca?! Nem me fale, festa junina é um “prejuízo” para a boa forma.
Deus a abençoe também.
-
Leonardo Diz:
29 de junho de 2009 at 16:20Curiosidades realmente muito interessantes!
E de fato dá muita água na boca!
Não vejo a hora de chegar a festa!
Deus te abençõe meu irmão!
-
Wellington Campos Diz:
2 de julho de 2009 at 8:45Valeu, Léo.
Nos vemos na festa, que vai ter uma quadrilha super animada, além dos quitutes
Deus te abençoe ricamente.









Wellington Campos é Filósofo Eclesiástico, Engenheiro Químico e Professor de Química. Autor do blog “