10 de julho de 2009 O crescimento do protestantismo no Brasil e a tese de Weber

Pensando em temposCuriosamente, segundo os últimos sensos, o grupo religioso que mais cresce é dos que não possui filiação religiosa. A segunda opção religiosa com crescimento digno de nota é das igrejas evangélicas. Este conjunto responde pelo grosso dos fiéis que se evadiram do catolicismo. Porém, com este crescimento, segundo Marcelo Néri, em seu trabalho Retrato das Religiões no Brasil, um aparente paradoxo sociológico se desenha em nossa sociedade. Em seu livro A ética protestante e o espírito do capitalismo, Max Weber, um dos pais da sociologia clássica, mostra a intrincada relação entre a nova ética religiosa, trazida por certos credos protestantes, e a consolidação do que ele chamou de espírito capitalista na Europa e nos Estados Unidos. Segundo Weber, o desenvolvimento da nova ética, promovida por uma pedagogia religiosa, que havia libertado o fiel da culpa quanto ao acúmulo de riqueza, conduzia à prosperidade de seus praticantes.

Como exemplo desta relação entre a ética protestante e o espírito capitalista, pode-se citar Benjamin Franklin, homem forjado pela austera moralidade puritana, como destaca Weber.

Lembre-se que o dinheiro é de natureza prolífera e geradora. O dinheiro pode gerar dinheiro, e seu produto gerar mais, e assim por diante. Cinco shillings circulando são seis; circulando de novo são sete e três pence e assim por diante, até se tornarem cem libras.[...]

De fato, o que Weber observou na Alemanha do século XIX é exatamente o oposto do quadro brasileiro do final do século XX. Na Alemanha do século XIX, as elites econômicas, basicamente homens de negócios, grandes capitalista e funcionários altamente qualificados, eram predominantemente protestantes. Segundo Weber, o fator determinante para isso era professarem uma fé que lhes permitia, e mais, estimulava à acumulação de capital. O que se vê, entre ocaso do século XX e o raiar do século XXI, no Brasil é o quadro inverso, a maioria dos evangélicos se localiza geograficamente nas periferias e socialmente nas camadas mais pobres. Como explicar que, mesmo em processo de crescimento das denominações evangélicas, o seu rebanho não está em ascensão social, senão apenas suas lideranças? Sem querer responsabilizar o protestantismo pela pauperização do brasileiro, o que seria um erro dos mais crassos a se cometer, o que Marcelo Néri chama a atenção é que o Brasil não está se desenvolvendo segundo a tese de Weber.

Estatisticamente, evidencia-se um crescimento da renda detida pelo grupo mais abastado da sociedade brasileira paralelamente ao crescimento do percentual evangélico da população. Então, de fato, o que se tem é um processo de agravamento da desigualdade social, dado que o correlato do acréscimo de riqueza nas mãos dos ricos é o crescimento da pauperização dos décimos mais pobres da sociedade brasileira, exatamente o público alvo das igrejas que mais crescem no país. Se comparada com o que Weber inventariou na história do protestantismo tradicional, a realidade brasileira é diametralmente oposta. Daí o aparente paradoxo.

A solução pode estar exatamente no modelo de protestantismo que mais está crescendo no país e na sua perspectiva “teológica” dominante. Quando se trata do crescimento das igrejas evangélicas há distinções. As mais tradicionais ou históricas respondem por um numero inferior à metade das pentecostais. O que significa dizer que estes últimos tiveram um crescimento extremamente acelerado (chegando a 8,9%) se comparados às demais denominações (5,2%). Dentre os chamados pentecostais, o grupo que realmente desponta é o dos neo-pentecostais. Desse modo, denominações como a Igreja Universal do Reino de Deus, Renascer em Cristo e Igreja da Graça alavancam o crescimento do número de evangélicos, muito mais do que os luteranos ou metodistas.

A origem histórica deste movimento está em meados da década de 1970, quando começa a se desenvolver em toda a América Latina o que René Padilla classifica como a terceira onda do pentecostalismo no continente. Depois dos grupos pioneiros de missionários no início do século XX, ainda vinculados às organizações internacionais, e da leva dos anos 50, que começou a alcançar autonomia, surge um novo grupo de pregadores quase que totalmente nacionais e absolutamente independentes, com atuação política considerável e uso intenso da mídia. Embora ambas características tenham sido estranhas ao pentecostalismo até o advento dos neopentecostais, o televangelismo e a bancada dos evangélicos são fenômenos que, grosso modo, passaram a ser associados a eles.

Os neo-pentecostais também são responsáveis pela pulverização de denominações e pela criação de igrejas particulares, criadas por dissidentes de denominações maiores, que posteriormente também geram os seus dissidentes, que criarão outras igrejas particulares. Estas igrejas, compostas, inicialmente, pelo – ocasionalmente auto-denominado – pastor e um grupo reduzido de fiéis, respondem pela multiplicação de denominações, que são por vezes vizinhas com menos de cem metros de distância entre um templo e outro. Freqüentemente estas igrejas particulares não possuem tradição e seus pastores nem sempre possuem formação teológica considerável.

De fato, a formação teológica parece ser algo desnecessário para os grupos neo-pentecostais. Tome-se o exemplo da Igreja Universal que chegou a manter um seminário, com curso de bacharelado em teologia de quatro anos, posteriormente fechado por sua inadequação aos objetivos da igreja. Nas palavras de Edir Macedo, em seu livro A libertação da teologia, tratava-se de “cristianismo de muita teoria e pouca prática; muita teologia, pouco poder; muitos argumentos, pouca manifestação; muitas palavras, pouca fé”.

Além disso, a internet oferece uma variedade de cursos superficiais para a formação de pastores, a maioria deles não presencial e de curta duração. A ênfase dos estudos oferecidos também é bastante sintomática do modelo de cristianismo a ser praticado e difundido pelos pastores formados nestes cursos. Segundo João Fallet, em uma colaboração para a Folha de São Paulo, “uma frase presente na apostila do Curso de Formação de Pastor dá o tom do seu conteúdo: ‘A igreja é uma empresa, e uma empresa difícil de ser conduzida, porque o seu estoque são almas’. O curso convoca pastores a uma adaptação aos novos tempos: ‘As igrejas que não seguirem a cultura dos povos tendem a ficar vazias’”.

O aspecto transformador do cristianismo que, segundo seus ditames mais antigos, deveria conduzir o mundo ao caminho da ética cristã, foi substituído por uma norma adaptativa, que subordina seus princípios às demandas, para o melhor atendimento ao público alvo da empresa, afinal: “o cliente tem sempre razão”. A impressão que fica é que, como no mundo dos negócios, qualquer coisa é possível para manter os lucros da empresa e o estoque de almas em alta.

No entanto, é bom que se diga que esta não é a formação recebida por todos os pastores. A maioria dos homens que se torna líder de uma igreja das denominações históricas e mais tradicionais tem uma formação bastante sólida, em seminários que exigem aplicação e estudo por parte de seus alunos. Os cursos de teologia dos seminários evangélicos podem levar até cinco anos, tempo equivalente a qualquer graduação. Que o Bom Pastor nos conduza a todos de volta ao rebanho único de seu pastoreio, para que sejamos um como Ele e o Pai são um.

Carlos EngemannCarlos Engemann possui graduação com distinção acadêmica Magna cum Lauda em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2000), mestrado em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2002) e doutorado em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2006). Atualmente é professor da Universidade Salgado de Oliveira e professor titular do Instituto Superior de Teologia do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil Império, atuando principalmente nos seguintes temas: escravidão, antropologia histórica e métodos quantitativos. É autor do livro “De Laços e de Nós”.
E-mail: cenge mann@bol.com.br

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6 Comentários para “O crescimento do protestantismo no Brasil e a tese de Weber”

  1. Plinio Angeli Diz:
    18 de julho de 2009 at 14:48

    COMO SE EXPANDIU A “REFORMA” NO SÉCULO XVI E XVII?
    A “reforma protestante” se expandiu rapidamente porque foi imposta de cima para baixo sem exceção em todos os países em que logrou vingar. O povo foi obrigado a “engolir” as novas doutrinas porque os reis e príncipes cobiçavam as terras e bens materiais da Igreja Católica. Infelizmente nesta época a Igreja era rica de bens materiais e pobre de bens espirituais. Foi com os olhos postos nesta riqueza mundana que os soberanos “escolheram” para si e para seu povo as doutrinas dos novos evangelistas, esquecidos de que todo ouro, terra ou prata se enferruja e fenece conforme ensina a escritura: “O vosso ouro e a vossa prata estão enferrujados e a sua ferrugem testemunhará contra vós e devorará as vossas carnes” ( Tg 5, 2-3 ). Prova isto o fato de que as primeiras providências eram recolher ao fisco real tudo o que da Igreja Católica poderia se converter em dinheiro.
    INGLATERRA: foi “convertida” na marra porque o rei Henrique VIII queria se divorciar de Ana Bolena. Como a Igreja não consentiu, ele fundou a “sua” igreja obrigando o parlamento a aprovar o “ato de supremacia do rei sobre os assuntos religiosos”. Padres e bispos foram presos e decapitados, igrejas e mosteiros arrasados, católicos aos milhares foram mortos. Qualquer aproveitador era alçado ao posto de bispo ou pastor. Tribunais religiosos (inquisições) foram montados em todo o país. ( Macaulay. A História da Inglaterra. Leipzig, tomo I, pgna 54 ). Os camponeses da Irlanda pegaram em armas para defender o catolicismo. Foram trucidados impiedosamente pelos exércitos de Cromwell. Ao fim da guerra, as melhores terras irlandesas foram entregues aos ingleses protestantes e os católicos forçados à migrar para o sul do continente. Cerca de 1.000.000 de pessoas morreram de fome no primeiro ano do forçado exílio. Esta guerra criou uma rivalidade entre ingleses protestantes e irlandeses católicos que dura até hoje, e volta e meia aparecem nos noticiários.
    ESCÓCIA: O poder civil aboliu por lei o catolicismo e obrigou todos a aderir à igreja “calvinista presbiteriana”. Os padres permaneceram, mas tinham de escolher outra profissão. Quem era encontrado celebrando missa era condenado à morte. Católicos recalcitrantes foram perseguidos e mortos, igrejas e mosteiros arrasados, livros católicos queimados. Tribunais religiosos (inquisições) foram criados para condenar os católicos clandestinos. ( Westminster Review, Tomo LIV, p. 453 )
    DINAMARCA: O protestantismo foi introduzido por obra e graça de Cristiano II, por suas crueldades apelidado de “o Nero do Norte”. Encarcerou bispos, confiscou bens, expulsou religiosos e proclamou-se chefe absoluto da Igreja Evangélica Dinamarquesa. Em 1569 publicou os 25 artigos que todos os cidadãos e estrangeiros eram obrigados a assinar aderindo à doutrina luterana. Ainda em 1789 se decretava pena de morte ao sacerdote católico que ousasse por os pés em solo dinamarquês. ( Origem e Progresso da Reforma, pgna 204, Editora Agir, 1923, em IRC )
    SUÉCIA: Gustavo Wasa suprimiu por lei o Catolicismo. Jacopson e Knut, os dois mais heróicos bispos católicos foram decapitados. Os outros obrigados a fugir junto com padres, diáconos e religiosos. Os seminários foram fechados, igrejas e mosteiros reduzidos a pó. O povo indignado com tamanha prepotência pegou em armas para defender a religião de seus antepassados. Os Exércitos do “evangélico” rei afogaram em sangue estas reivindicações.(A Reforma Protestante, Pgna 203, 7ª edição, em IRC. 1958)
    SUIÇA: O Senado coagido pelo rei aprovou a proibição do catolicismo e proclamou o protestantismo religião oficial. A mesma maldade e vileza ocorreram. Os mártires foram inumeráveis. ( J. B. Galiffe. Notices génealogiques, etc., tomo III. Pgna 403 )
    HOLANDA: Aqui foram as câmaras dos Estados Gerais a proibir o catolicismo. Com afã miserável tomaram posse dos bens da Igreja. Martirizaram inúmeros sacerdotes, religiosos e leigos. Fecharam igrejas e mosteiros. A fama e a marca destes fanáticos chegou até ao Brasil. Em 1645 nos municípios de Canguaretama e São Gonçalo do Amarante ambos no atual Rio Grande do Norte cerca de 100 católicos foram mortos entre dois padres, mulheres, velhos e crianças simplesmente porque não queriam se “batizar” na religião dos invasores holandeses. Foram beatificados como mártires este ano.Em 1570 foram enviados para o Brasil para evangelizar os índios o Pe Ináciode Azevedo e mais 40 jesuítas. Vinham a bordo da nau “S. Tiago” quando em alto mar os interceptou o “piedoso” calvinista Jacques Sourie. Como prova de seu “evangélico” zêlo mandou degolar friamente todos os padres e irmãos e jogar os corpos aos tubarões (Luigi Giovannini e M. Sgarbossa in Il santo del giorno, 4ª ed. E.P, pg 224, 1978).
    ALEMANHA: Na época era dividida em Principados. Como havia muito conflito entre eles, chegaram no acordo que cada Príncipe escolhesse para os seus súditos a religião que mais lhe conviesse. Princípio administrativo do “cujus regio illius religio”. Os príncipes não se fizeram rogar. Além da administração mundana, passaram também a formular e inventar doutrinas. A opressão sangrenta ao catolicismo pela força armada foi a consequência de semelhante princípio. Cada vez que se trocava um soberano o povo era avisado que também se trocavam as “doutrinas evangélicas” (Confessio Helvetica posterior ( 1562 ) artigo XXX ). Relata o famoso historiador Pfanneri: “uma cidade do Palatinado desde a Reforma, já tinha mudado 10 vezes de religião, conforme seus governantes eram calvinistas ou luteranos” ( Pfanneri. Hist. Pacis Westph. Tomo I e seguintes, 42 apud Doellinger Kirche und Kirchen, p. 55)
    ESTADOS UNIDOS: Para a jovem terra recém descoberta fugiram os puritanos e outros protestantes que negavam a autoridade do rei da Inglaterra ou da Igreja Episcopal Anglicana. Fugiram para não serem mortos. Ao chegarem na América repetiram com os indígenas a carnificina que condenavam. O “escalpe” do índio era premiado pelo poder público com preços que variavam conforme fossem de homem maduro, velho, mulher, criança ou recém-nascido. Os “pastores” puritanos negavam que os peles vermelhas tivessem alma e consideravam um grande bem o extermínio da nobre raça. EM RESUMO em nenhum país cuja maioria hoje é protestante foi convertida com a bíblia na mão. Foram “convertidos” a fogo e ferro, graças à ambição dos reis e príncipes. Exceção é feita no presente século onde a tática mudou. Agora o que ocorre é uma invasão maciça de seitas de todos os matizes, cores e sabores financiados pelos EUA. Pregam um cristianismo fácil, recheado de promessas de sucessos financeiros instantâneos ou quando não, promovem como saltimbancos irresponsáveis shows de exorcismos e curas às talargadas. Antes matava-se o corpo. Hoje estraçalha-se a razão e o bom senso. Dificilmente se conhece um “evangélico” que não seja de todo um ignorante nas Sagradas Escrituras ou tenha para com a Igreja de Cristo um ódio mortal e uma ignorância lamentável. Cursinhos de “teologia” ou “Apologética” onde pouco ou nada se estuda sobre a Bíblia, os escritos dos primeiros cristãos ou história séria são ministrados aqui e ali para fisgar os incautos que abandonam a Igreja duas vezes milenar fundada por Cristo e herdeira de suas promessas para seguir opiniões de aventureiros fundadores de igrejolas e seitas. Falsos profetas que se enganam e enganam. Cegos condutores de cegos ( MT 15, 14 ). Que rodeiam o mar e a terra, para fazer um discípulo, e quando o fazem o tornam duas vezes mais digno do inferno do que eles ( MT 23, 15 ).

    Autor: Dr. Udson Rubens Correia

  2. Wellington Campos Diz:
    28 de setembro de 2009 at 15:23

    Olá, Carlos.

    A questão é bastante ampla. Seus argumentos e os fatos apresentados mostram com clareza o panorama que vivemos, quanto à proliferação de igrejas particulares desprovidas do devido arcabouço teológico. Ler coisas como ‘A igreja é uma empresa, e uma empresa difícil de ser conduzida, porque o seu estoque são almas’ é realmente preocupante.

    Até.

  3. Wilson Diz:
    14 de janeiro de 2010 at 14:16

    Creio que o crescimento do protestantismo no Brasil é devido ao mover do Espírito Santo na vida de muitas pessoas, que ao conhecerem as escrituras tem suas vidas transformadas pelo conhecimento da verdadeira vontade de Deus para suas vidas. Essas ao tomar conhecimento que as práticas de pecado em que viviam (idolatria, fornicação, adultério…) e que a igreja católica não lhe ensinava que estavam no pecado. Procuram uma igreja que esteja conforme o que a bíblia ensina para fazerem a vontade de Deus. Sou o ex-católico e a igreja católica nunca me mostrou a verdade. O dia em que entrei numa igreja evangélica senti Deus me mostrar os meus erros, e me oferecendo perdão e vida nova através de seu Filho Jesus Cristo. Eu não falo do que os outros dizem, falo da minha própria experiência que tive com Deus, sei que a igreja católica foi a igreja primitiva, mas também sei que ela se corrompeu, Deus a criou perfeita mas os homens que estavam na liderança (papas) a transformaram em política, e criaram varias praticas anti-biblicas na liturgia do culto, afastando Deus da igreja. A própria historia diz o que ouve na igreja católica (assassinatos em massa, indulgências, depravações dos papas). Também o que é comum vermos reportagens de que padres abusaram de crianças. Tudo isso me levou a crer que Deus não está a frente desta igreja.

  4. Heraldo de Carvalho Diz:
    1 de fevereiro de 2010 at 11:43

    Toda a religião começa com boa intenção, mas estamos em um mundo de homens gananciosos e falhos, e as religiões se corrompem como o homem se corrompe.
    Na verdade, as coisas e as comunidades se desgastam, o que houve com o catolicismo foi assim, se desgastou, se envolveu com o Poder e se promiscuiu. Não quero ofender a Fé de ninguém, mas tapar o sol com a peneira e falar como o Dr. do 1º comentário e ser coorporativista demais, e até leviano.
    Sabemos nós o que a Igreja Romana fez, e sabemos o que as Igrejas tradicionais protestante fizeram, no entanto, cada período surgira sempre renovaçao em ambas as partes trazendo novidades e repulsas.
    Riscosa todos nos correremos com algo novo, mas devemos ter a generosidade do Cristo, e saber respeitar e equilibrar os nossos raciocionio com uma visão geral, a fim de podermos compartilhar conhecimento e abrir novos horizontes. Falhas todos temos e teremos, o que não podemos é levantar bandeiras de injustiças, se há verdades, que sejam esclarecidas, e se alguém usa-as para se dar bem, um dia a máscara vai cair e a mentira cedo ou tarde sucumbira.

  5. SERGIO Diz:
    12 de março de 2010 at 12:02

    A IGREJA DE JESUS CRISTO NÃO É ROMANA

    “Que fareis pois irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.” (I Cor. 14:26)

    Desconhecemos a espontaneidade e a liberdade nas reuniões do Corpo de Cristo, com a participação ativa dos crentes e não de alguns poucos, porque não entendemos ainda o que significa Igreja. É preciso compreender: desfez-se a reunião, e o ajuntamento dissolveu-se, não existe mais igreja. Igreja é reunião, é um ajuntamento?

    “Mas chegastes ao monte de Sião e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial… à universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus e a Deus… e a Jesus…” (Hb. 12:22-24).

    O tempo exige espaço para prover sua limitação, para demarcar sua referência de um acontecimento. “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em Meu Nome, ai estou no meio deles.” (Mt. 18:20). Jesus manifesta Sua presença na temporalidade dos encontros humanos nesta igreja de dois ou três paralelamente reunindo-se eternamente naquela igreja (assembléia) de milhares de primogênitos.

    Estavam todos reunidos no mesmo lugar (At. 1:2), era a igreja. Dizer que a igreja estava reunida é uma redundância. Era a comunidade de irmãos e irmãs que numa constante dinâmica de relacionamentos entre si e em comunhão com Deus aguardava o derramamento do Espírito Santo, que João Batista chamou de Batismo. (At. 1:5).

    A igreja não é de Roma, são todos os que estão em Roma, amados de Deus, chamados santos. (Rom. 1:7). A igreja de Deus está em Corinto (I Co. 1:3; II Co. 1:1), quando se reúnem no Nome Jesus e Ele está no meio deles. São as igrejas da Galácia; em cada cidade ou vila se congregam e porque estão congregados naquele tempo determinante são igreja (Gl 1:2). São os santos que estão em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus (Éf. 1:1). São os que estão em Filipos (Fp 1:1) e em Colossos (Cl. 1:2). É a igreja dos tessalonicenses em Deus, não que pertença a eles, são eles mesmos quando estão reunidos, em assembléia (I Ts 1:1, II Tes. 2:1).

    Dissociar IGREJA da idéia de lugar definido, templo, denominação, prédio, edifício, “igreja” que continua sendo “igreja” mesmo quando não estão reunidos é exercício difícil do pensamento; tem-se que renunciar violentamente os axiomas e dogmas estabelecidos; tem que se desvencilhar e se desatar das tradições dos séculos protestantes e evangélicos; tem que ter coragem para romper com paradigmas cauterizantes e engessados de natureza puramente religiosa; tem que romper com sistemas hermenêuticos históricos que há muito roubaram os meios de se chegar até às Escrituras despreconceituosamente e tem que santificar-se, separar-se para a Verdade, pois é possível se libertar deste hibridismo – santo-profano – para entender por Revelação a discernir o Corpo de Cristo que definitivamente não está dividido.

    Toda “igreja” tem um altar e um púlpito. O altar serve para uma classe sacerdotal exercer suas funções e o púlpito serve para discriminar os santos de Deus. “Mas vós sois a geração eleita, sacerdócio real (sacerdotes e reis), a nação santa, o povo adquirido para que anuncieis as virtudes daqueles que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz.” (I Pe. 2:9).

    O rebanho de JESUS reconhece que o Espírito Santo constituiu bispos que o apascenta, mas sendo resgatado com o próprio sangue (conforme Atos 20:28), tem acesso livre ao Altar nos céus que elimina categoricamente qualquer altar na terra. Existiram na terra até à crucificação de Jesus altares pagãos e altares para Deus, depois da Cruz de Jesus, o último altar de Deus na terra, todo altar na terra se tornou pagão. Jesus é o Altar Eterno de Deus e é somente Nele e através Dele que nos encontramos com Deus.

    O púlpito sacraliza a voz do que fala em Nome de JESUS. É somente para “os escolhidos.” Não é canal de todos os santos. Estes se silenciam para ouvir a voz do que fala. De fato, o púlpito roubou a liberdade dos santos de edificarem uns aos outros, porque se um somente edifica o culto não é do Corpo, mas do pastor ou daqueles que falam ou ministram. O púlpito atrai para si o referencial do propósito essencial da igreja em relação a nós, que os santos se reúnem para edificar uns aos outros. O apêndice tornou-se o destaque e aniquilou a função do corpo.

    Se somos santos de Deus e entendemos as coisas do Espírito, não seria o caso de percebermos que o tipo de culto que temos é o mesmo praticado a 500 anos? Não seria o caso de voltarmos para o Novo Testamento e examinarmos as Escrituras para comprovar se estas coisas eram assim? (At. 17:11)

    É preciso restaurar o culto às Igrejas, onde irmãos e irmãs edificam-se uns aos outros com o que Deus lhes deu, numa comunhão perene de gente que não segue um programa, não requer um animador para conduzi-los e que dispensa estrelismos. O que passar disto é entretenimento. Por melhor e até edificante que seja é outra coisa, não chame de igreja, à Luz da Bíblia não pode ser e definitivamente não é.

    Igreja é: “onde estiverem dois ou três reunidos em Meu Nome, ai estou no meio deles.” (Mt. 18:20).

  6. ALACIR Diz:
    3 de maio de 2010 at 13:44

    Senhores,

    Seguindo a linha de um dos aspectos metodológicos adotados por Max Weber em seu trabalho intelectual, a sociologia religiosa no Brasil tem recorrido aos tipos ideais para tornar mais leve a tarefa de entender os segredos das igrejas protestantes brasileiras. São muito conhecidas algumas dessas tipologias do protestantismo brasileiro, sobretudo as de Rubem Alves (Protestantismo e repressão), Martin N. Dreher (A Igreja Latino Americana no contexto mundial) e Ricardo Mariano (Neopentecostais – Sociologia do novo pentecostalismo no Brasil).

    Para dizer alguma coisa sobre os grupos religiosos em foco, eu desejaria não somente seguir o recurso tipológico, mais também algumas intuições teóricas sugeridas por Max Weber e Paul Tillich. Eu gostaria de propor um modelo tipológico relacionado às categorias do mago, do sacerdote e do profeta como enfocados por Weber, a fim de lançar nova luz sobre o entendimento dessas igrejas brasileiras. Por fim gostaria de instigar a submissão desses três tipos à crítica baseada na noção de princípio protestante cunhada por Paul Tillich

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