15 de junho de 2009 Educação Social – A importância da família

Quem somos? Educador SocialOlá pessoal!

Estamos aqui novamente e ainda estou indecisa em como posso colocar de uma forma legal tudo que aprendi até hoje como Educadora Social.

Acho que interessa também ao leitor saber infomações sobre o público que atendemos, como recebemos, a quem recorrer em casos de onde encaminhar as crianças e indivíduos em situação de risco etc… Também relatos, estórias e pensamentos. Por isso, vou tentar distribuir a coluna do Educador Social em tópicos, comentários, dúvidas, etc., mas gostaria muito das sugestões, de vocês para que esta coluna seja agradável a todos.

Estejam à vontade.
Abraços no coração.

Educação Social – Importância da Família

Um dia ouvi um grande barulho na rua. Muitas pessoas gritando: ladrão, ladrão, pega ladrão… E depois tiros, correrias, gritos…
Fui correndo para ver o que havia acontecido e, meu Deus!
Era meu filho que estava ali. Estava estendido na rua todo ensanguentado e gemendo de dor. Ele havia tentado roubar uma loja ali das redondezas. Foi baleado e quase estava sendo linchado pelo delito que fez quando a polícia chegou.
Então, ajoelhei-me perto dele e chorando aos prantos gritei:
- Meu filho por que fez isso? Por quê?
Ele olhou profundamente para mim e cuspiu em meu rosto respondendo: mãe se tivesse me corrigido quando pequeno eu não estaria aqui e logo depois faleceu.


Essa história de forma lúdica, mostra com clareza a importância da participação na educação familiar. O afeto e a correção na hora certa. Embora pareçam palavras duras, a história mostra que a ausência dos pais em relação aos nossos filhos traz consequências negativas por toda vida.

O que é melhor? Educar quando pequenos ou corrigir quando adultos?

O trabalho do educador social é quase que tentar “retificar” o que foi quebrado por falta de estrutura física, psicológica e afetiva da família. Reeducar estas pessoas que vem até nós, cheias de tristezas, raivas, desamor. É como se tentassem reformar novamente uma casa que foi abandonada e jogada as traças. É um trabalho de persistência, de melhoria da auto estima e de mostrar aos cidadãos, que podem conviver com a sociedade e também ser amados e respeitados. O educador social ajuda a educar para o coletivo. Educar construindo vínculos, conquistando confiança, sendo firme sem ser autoritário, sendo carinhoso sem ser mole e auxiliando no processo de seu projeto de vida. É pura doação de amor. É tudo o que a família poderia e deveria fazer.

(que nenhuma família termine por falta de amor…) – Padre Zezinho

Importância da família estruturada

Uma coisa que observei durante estes anos de trabalho como educadora social é que uma das maneiras de todos ajudarem na diminuição da população de rua, de ajudarem na área social é ajudar na manutenção da família. Se torna dever de cada um conservar a família que é tudo, que é base, que é sustento, que é força.

Não é fácil eu sei, mas diálogo, afetividade e sentimento de harmonia e de amor no lar são muito importantes. Criar vínculos, sentar, ceiar juntos, saber um do outro, conversar. Todos sentindo a responsabilidade de respeitar e serem respeitados, cada um na sua individualidade.

Sabemos que a situação social que estamos também não ajuda, mas não podemos nos anular desse processo. Pensem se temos pais trabalhando, filhos na escola, filhos no esporte, acesso a saúde, se temos um teto para morar. Tudo fica mais fácil é o básico. E este básico também prejudica a estrutura familiar, quando se não tem.

Sabemos que as realidades são de famílias que não conseguem trabalho, que não conseguem dar educação a seus filhos e muito menos ter o que vestir e o que comer. Isso é o básico e é claro que na falta desses quesitos a família quebra. A desarmonia impera, os pais brigam, se agridem, descontam nas crianças que não suportando e acabam evadindo de suas casas e indo para as ruas.

Quando a coisa não está bem em casa, tudo acontece. Essas crianças na rua ficam em situação de risco e algumas quando se encontram com um grupo que vai para o lado errado, se misturam e acontece de tudo, se drogam, roubam, são violentadas etc. Outras com mais “sorte” são acolhidos por nós educadores sociais que também trabalhamos direto nas ruas e encaminhamos os mesmos para os abrigos para serem acompanhados na travessia desse abandono afetivo a sociedade, através de uma equipe de psicólogos, assistentes sociais e por nós que lidamos diretamente com estes que chegam cheios de temores, raivas, tristezas e incertezas. Muitos chegam agressivos e não aceitam regras, querem quebrar tudo, querem voltar para as ruas…

É uma fase delicada onde nós temos que buscar sua confiança e acompanhá-los nesse novo processo para que eles se sintam seguros e apoiados. Não é fácil, é um trabalho diário, vagaroso, persistente e sempre baseado na paciência, no amor, na generosidade, na reflexão diária.
Valores, valores, afeto, dedicação…

Por favor, não deixem mais crianças irem para as ruas. A realidade da política social é cruel. Pode ser que venham melhorar os abrigos, que tenham mais espaços para elas, mas o que vai resolver de verdade é o apoio de uma mãe, de um pai, de uma família. E isso ninguém compra. Pois família é amor, é cuidar destas pessoas que já estão desmotivadas e desacreditadas da vida, é muito mais difícil do que conservar a família que temos. As crianças e adolescentes estão crescendo e fazendo famílias nas ruas, estão crescendo e morrendo nas ruas.

O poder público tem o dever de cuidar dessa área social, mas nós temos que ajudar, cuidando para que não se rompa mais as famílias. Por outro lado temos que cobrar das autoridades apoio social, segurança e direito a cidadania para todos.

Se você leitor tem uma familia unida. Tem uma familia que ainda se vê, que se reúne aos domingos, que se ama, dê graças a Deus todos os dias e conserve este bem tão precioso que nem todos têm.

Obrigada!
Abraços no coração.

Fabíola Nery é Educadora Social e trabalha em um dos projetos da prefeitura do Rio de janeiro. Atua no projeto Casa de Acolhida com menores de rua, projeto de mães adolescentes em situação de risco, Casa Viva com crianças e adolescentes usuários de drogas e Casa Lar com adolescentes em situação der risco buscando sua autonomia no mercado e na sociedade. Participa atuando como secretaria e divulgando a Associação de Assistência aos Educadores Sociais – AAEDUSOB
Possui uma comunidade chamada Educador Social tem seu valor!
E-mail: fabiola_nm@hotmail.com

15 Comentários para “Educação Social – A importância da família”

  1. Wellington Campos Diz:
    18 de junho de 2009 at 11:30

    Olá, Fabíola.

    Mais uma vez, parabéns pelo seu texto.

    Vejo que, como em outras áreas, o Educador Social preenche uma lacuna deixada pelo Estado. Uma vez que faltam educação, capacitação, empregos e, por consequência, a estrutura fundamental para uma família, aí entra o Educador Social. É claro que essa é apenas uma vertente do trabalho, mas imagino que fazer aquilo que a administração pública deixa faltar é uma tarefa hercúlea.

    Um abraço.

  2. Fabíola Nery Diz:
    19 de junho de 2009 at 10:45

    Wellington!

    Saudações!

    Fico feliz por suas palavras e por demosntrar interesse na coluna do Educador Social, que são pessoas invisívels para muitos na sociedade. Espero que aos poucos eu possa passar um pouco de nossa rotina.
    Abraços.

  3. Cátia Moraes Diz:
    19 de junho de 2009 at 16:12

    Fabíola
    Parabéns pelo seu trabalho.

  4. Daize de Fátima Moura da Silva Diz:
    23 de junho de 2009 at 12:34

    Parabéns por suas belas palavras. Nós somos invisíveis para a sociedade, mas não para Deus. Ele está vendo o nosso trabalho e como lutamos, muitas vezes sozinhas por estas crianças, aliás, sozinhas não, com Deus ao nosso lado. Nos animando, nos reerguendo quando estamos prestes a cair, pois aos olhos de Deus nós estamos bem visíveis, e para mim isso é o que importa. Bjs no seu coraçao!

  5. claudia themoteo Diz:
    29 de junho de 2009 at 14:24

    Fabiola preciso muito falar com vcs da equipe da associação pois os educadores estão sem receber e quando revindicam seus direitos são mandados embora e como em um dos nossos encontros Vanderlei nos informou ter contato direto com o secretário . por favor precisamos de ajuda entre em conta to , pois o email que vc nos deu não estamos consequido assesar. claudia do catete

  6. Fabíola Nery Diz:
    30 de junho de 2009 at 9:59

    Daize!
    Muito obrigada por suas palavras.

    Gente, Daize é uma Educadora Social, antiga na rede. Tem 13 anos direto na ativa e muita estória para contar.

    Um abração.

  7. Kátia Diz:
    30 de junho de 2009 at 10:44

    Oi, Fabíola!

    Bacana este site e a coluna!

    Parabéns à Paróquia N. S. de Fátima – pelo site e pela iniciativa de promover este espaço – e à colunista Fabíola, que certamente busca dignificar uma atividade que, na prática, é muito mais penosa do que possa transparecer aqui, além de ser tarefa muita vezes inglória, com resultados ‘pequenos’ se comparados ao empenho necessário.

    Boa sorte com este novo trabalho!

  8. Maria Elizabeth Diz:
    11 de julho de 2009 at 9:50

    Sou também uma Educadora Social. Entendo você de coração e razão. Costumo dizer que não enxugamos gelo mas, molhamos o solo para as nossas sementes germinarem. Quanto aos governantes, eles não são os únicos culpados até porque eles não se elegem com um único voto. Hoje trabalho com portadores de deficiência mental, paralisia cerebral e saúde mental: sofrem a mesma exclusão, com uma diferença: acreditam na sociedade.
    Deus te abençoe !

  9. Aparecida Borges Diz:
    28 de julho de 2009 at 23:45

    Parabéns Fabíola!

    Sou professora e trabalho com crianças e adolescentes em situações de risco.
    É muito triste ver tantas crianças e adolescentes abondonadas a prórpria sorte com famílias destruturadas, correndo o risco de se envolverem com drogas tornando marginais.
    Moro na cidade de Sorocaba SP, sou professora recreacionista em uma instituição religiosa onde eu e mais 2 professoras, trabalhamos principalmente a parte espiritual das crianças e adolescentes, pois, é o que eles mais precisam para não se perderem pelas ruas da cidade.
    A Instituição é o CEFAS, Centro Familiar de Solidariedade Rainha da Paz, obra do Padre José Sometti. Eu sou da Paróquia Nossa Senhora de Fátima — Campolim de Sorocaba – SP
    Deus te protega e te guarde todos os dias de sua vida.

  10. Fabíola nery Diz:
    3 de agosto de 2009 at 17:07

    Olá pessoal!

    Que bom, que todos vocês estejam entendendo o motivo pelo qual fiz essa matéria.
    É através desta que espero que todos os Educadores Socias que visitem, aproveitem para colocar suas experiências e testemunhos neste nosso trabalho tão importante e tão desvalorizado.

    É preciso que a sociedade saiba do trabalho de vocês.

    Obrigada a todos vocês que participarm comigo e entendem o que passamos.

    Abraços no coração.

  11. Geacezai Diz:
    19 de agosto de 2009 at 14:33

    Olá Fabíola,
    Sou tb Educadora Social e gostaria primeiramente de me solidarizar com você nesta batalha diária que é a nossa profissão. Profissão essa que não é reconhecida pelos nossos governantes.
    Estou muito interessada nos movimentos da AAEDUSOB mas não tenho tido notícias dos resultados após o evento no HEMORIO. Não está acontecendo nada?
    Um abraço, Gê

  12. Daize de Fatima Moura da Silva Diz:
    29 de agosto de 2009 at 15:12

    Tambem sou educadora social e trabalho com a nossa amiga fabiola no mesmo projeto. Só Deus sabe como e dificil a gente levar em frente essa tarefa. Muitas vezes nos sentimos sozinhos e a unica vontade que a gente te e de chorar, por nao ter ajuda de ninguem e ver nossas crianças precisando de tudo e a gente não podendo fazer nada. Nós precisamos de vocês, os governantes não tem a mesma sensibilidade que nós temos, a sociedade precisa se engajar nesta nossa luta, pois nos precisamos de vocês, principalmente as crianças. Nos ajude, entrem nesta luta com a gente. Abraços.

  13. fabiola Diz:
    29 de agosto de 2009 at 16:55

    Olá Gê!

    Tudo bem?
    Que bom você estar conosco.
    A AAEDUSOB em breve manterá contato novamente. Visite a pagina e aproveite este espaço para divulgar a todos o trabalho bonito e importante que você e nossos colegas educadores sociais fazem.

    Abraços no coração.

  14. Cátia Silva Diz:
    28 de setembro de 2009 at 23:22

    Oi Fabíola!!
    Adorei o texto!
    Também sou educadora. Não trabalho com crianças carentes, mas posso perceber o que a falta de estrutura familar pode fazer com uma criança, pois o que mais falta aos meus alunos é a segurança de uma família equilibrada, que se ame e se respeite.
    Parabéns pelo seu trabalho!!
    Cada vez te admiro mais.
    Bjs “Bila”

  15. geisa danielle Diz:
    15 de abril de 2010 at 23:47

    oi fabiola!

    adorei seu trabalho, e admiro sua perspectiva de vida..
    curso hoje o segundo ano de serviço social e pretendo futuramente servir a esas crianças da mesma forma que você.
    parabens pelo trabalho que deus a abençoe..bjs

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